15/04/2015
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Sociologia do Trabalho: uma reflexão

Ao abrir a janela para o mundo do trabalho, observamos algumas questões que são merecedoras de uma discussão mais aprofundada, não somente pela sua relevância, mas, sobretudo, pela importância do engajamento destas, para esta janela à nossa frente. A sociologia do trabalho é, sem dúvida, uma delas.

O Brasil, formado principalmente por micro e pequenas empresas e, historicamente considerado um País de empreendedores, passou por inúmeras crises, nacionais e internacionais, e tem sobrevivido, apesar dos problemas, das desigualdades, e das precariedades das condições de moradia, de locomoção, de saúde, da segurança e da educação, entre outras.

Crescemos e nos destacamos no cenário internacional, graças a um conjunto de fatores e, dentre eles, a nossa grande força de trabalho, polivalente, diversificada e potencializada, capaz de mover uma Nação com total habilidade. Ao longo do tempo, todas as mudanças pelas quais passamos - e na velocidade que elas vieram - contribuíram e contribuem para o surgimento de novos conceitos, interesses e novas necessidades clamadas pela classe trabalhadora.

O mundo do trabalho em nosso País requer um novo modelo na ordem do trabalho, não pelo crescimento das lideranças políticas dos trabalhadores, ou do entendimento destas representações, e sim, provocado pelos rumos da globalização e seus reflexos, da crise político-social e econômica em que vivemos, da cultura pós-crise internacional, da maturidade democrática do trabalhador cidadão, pelo crescimento - ainda que a passos lentos - da nossa educação, enfim, do nível de consciência, ora estabelecida.

O novo modelo, também é considerado exequível pelas organizações e pela sua representação, que enxerga a necessidade de se adequar - sob o prisma da qualidade - o trabalho, aos interesses dos trabalhadores, entendendo que estes mesmos trabalhadores são os potenciais consumidores - direta ou indiretamente - que farão a diferença nos processos de demanda do consumo, de busca pela qualidade e de outras vantagens, que poderão implicar no sucesso empresarial e nos resultados da balança comercial do País.

As organizações modernas estão enfrentando ambientes dinâmicos, provocando alterações radicais no modo de serem gerenciadas. O sucesso para o impasse está na capacidade que os seus gestores têm de aprender a aprender o novo e de desaprender o passado, o obsoleto, ou seja, passa por uma reconceituação dos modelos mentais de cada indivíduo, refletindo, por conseguinte, na própria mudança de atitude da organização como instituição constituída (ANGELONI, 2008).

Durante séculos a sociedade transitou por várias épocas, e, historicamente, estamos vivenciando a fase - ou era - da Sociedade do Conhecimento. O processo da mudança no contexto empresarial, entre outras questões, acontece quando surgem novos conhecimentos, que levam a novas tecnologias, necessárias à busca do desenvolvimento econômico da empresa, o que certamente acarretará mudanças nos subsistemas: social, político, econômico e organizacional. A velocidade dessas mudanças é algo que tem exigido muita flexibilidade e capacidade de adaptação, para que as mudanças não demandem em um conflito generalizado.

Zabot (2002) nos diz que a resistência à mudança pode ser consequência de aspectos lógicos, psicológicos ou sociológicos.

Drucker (1970, p.23) disse: “a única certeza que podemos ter é a certeza da mudança”.

A sociologia do trabalho deveria ser enfatizada, potencializada, estimulada e praticada, não apenas nos discursos de algumas poucas entidades. Deveria estar enraizada, minimamente, na essência da educação no Brasil, contemplada nos projetos pedagógicos, nos currículos escolares, desde as etapas iniciais do aprendizado, estimulando sua prática, não somente para a educação, mas, principalmente, para o modelo pedagógico educacional, adequado às realidades e necessidades locais.

A sociologia do trabalho deveria estar intrinsecamente contida nas pesquisas das entidades representativa dos trabalhadores, embasando os trabalhos voltados às negociações coletivas de trabalho, às discussões, que hoje ainda podemos dizer que são tripartites, e deveria ser estendida a toda sociedade local interessada, sobre temas do interesse dos seus representados, a exemplo da qualidade de vida e da segurança e saúde do trabalhador.

Deveria estar contextualizada no debate nacional quanto aos demais assuntos de interesse das classes trabalhadoras, ainda subjugadas pelos interesses de um capitalismo dominante, selvagem e modernizado, maquiado por um falso marketing positivo.

Adonai Ribeiro

 

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